TOMÉ.
Sobre o Tomé
Quem leu o mercado de capitais

Ver para crer.

Nasci pra responder uma pergunta — "me diga um fundo" —, mas cresci: hoje leio o mercado inteiro. Os informes que cada fundo — FIDC, imobiliário (FII), de investimento (FIF, o antigo 555) ou de participações (FIP) — e cada emissão de CRI/CRA entregam à CVM, mês a mês, ano a ano; leio também a debênture que uma empresa emite direto no mercado (a face de emissor, no primário) e acompanho os documentos que as companhias abertas protocolam na CVM — atas, fatos relevantes, proventos, com o link oficial de cada um — lendo os formulários delas: quem controla, quem audita. E te conto, em português de gente, o que foi declarado, o que mudou depois de entregue e o que não fecha. Cada classe pela sua régua. Não dou palpite de investimento. Mostro o documento.

Quem é o Tomé

Meu nome vem do apóstolo que só acreditou quando pôde ver. É assim que eu trabalho: não afirmo nada que eu não tenha conferido na fonte.

Sou um leitor cético e paciente de crédito estruturado. Sei ler um informe mensal campo a campo — patrimônio líquido, carteira por segmento, inadimplência nas dez faixas de atraso, subordinação, cotistas — e sei o que um mês sozinho esconde, porque guardei a história do próprio fundo e comparo com ela. E a mesma disciplina eu aplico à emissão de CRI/CRA, ao FII, ao FIAGRO, ao FIF, ao FIP e à debênture: cada classe pela sua régua.

Não confundo o número com o que o número significa. Um painel te mostra que a inadimplência é R$ 31 milhões. Eu te digo que isso é 10,3% do patrimônio, o dobro da mediana dos pares — mas que é um FIDC de crédito a PME, então tem contexto. Os outros entregam o dado cru; eu entrego a leitura, com a fonte, sempre.

Falo com qualquer um: um cotista tentando entender o próprio fundo, um jornalista, um administrador conferindo o informe antes de mandar, um conselheiro que não sabe o que é índice de subordinação. E é justamente por ser público que eu preciso ser ainda mais rigoroso — cada número que digo é sobre uma entidade nomeada, à vista de todos.

"Esse informe está internamente perfeito — as somas fecham. Mas olhei o histórico: nos últimos seis meses esse fundo declarou entre R$ 74 e 79 milhões de inadimplência, e este mês veio R$ 1,9 milhão. Ou foi o melhor mês da história dele, ou faltou um bloco na carga. Se você é cotista, é uma boa pergunta pro administrador."

O que ele lê pra você

Cada leitura abaixo vale pra qualquer classe que eu conheço — FIDC, FII, FIAGRO, FIF, FIP, emissão de CRI/CRA, debênture, companhia aberta — e sai de documento público, com competência e protocolo rastreáveis. Você pergunta em linguagem de negócio; eu respondo com o fato.

Série no tempo
Guardei a trajetória de cada número declarado — patrimônio, carteira, inadimplência, saldo — competência a competência, não a foto de um informe só.
Reapresentações
Quando um informe é corrigido depois de entregue, eu mostro o que mudou entre a versão original e a corrigida, quanto demorou e se foi por conta própria.
Subordinação
Se o colchão que protege a cota sênior está sendo consumido ao longo da série — e quanto era há doze meses.
Comparação com pares
Onde um número cai frente à mediana do conjunto. Distância do meio, nunca nota de bom ou ruim.
Regulamento e covenant
O que o regulamento declarou como gatilho — e o que a série de informes diz sobre ele.
Rating da carteira
Como a carteira se distribui nas faixas de risco declaradas, de AA a H (escala SCR).
Recompras e movimentação
O que entrou e saiu da carteira declarada entre competências — recompras, cessões, baixas.
Concentração de cedentes
Quanto do risco declarado se apoia em poucas mãos — e como essa concentração andou no tempo.
Silêncio
Quando um fundo simplesmente para de aparecer nos informes — o gap que ninguém destaca.
Pontualidade
Se os informes vêm no prazo ou com atraso, sem transformar aproximação em acusação.
Prazos oficiais (calendário CVM)
Quando vence cada informe e demonstração de cada categoria — FIDC, FII, FIAGRO, FIF, ETF, FIP, CRI/CRA e securitizadoras — direto do calendário anual oficial da CVM, com a norma que obriga a entrega. Para responder "quando sai o próximo dado" e se uma ausência ainda está dentro do prazo.
Consulta em lote
Uma lista de fundos de uma vez — o que mexeu, o que corrigiu, o que ficou em silêncio.
Coerência
O número que não fecha entre um campo e outro, ou entre dezembro e janeiro, apontado com a fonte.
Emissões de CRI/CRA
O saldo devedor de cada emissão, as séries com taxa, vencimento e situação, a inadimplência do lastro — e tudo que cada securitizadora já emitiu.
Fundos de participações (FIP)
O patrimônio no tempo e o ciclo de chamadas de capital de um fundo de private equity, venture capital ou infraestrutura — capital comprometido, subscrito e integralizado —, as classes de cota e quem investe. A carteira de participações não é dado público na CVM.
Debêntures diretas de empresas
Quando uma empresa capta emitindo debênture no mercado (fora de securitização): quem emitiu, quanto, a que taxa e indexador, com que garantia, agente fiduciário e vencimento — das ofertas registradas na CVM. É o ato de oferta (mercado primário): o volume é o registrado, não o saldo devedor de hoje.
Assembleias de cotistas
O que os cotistas deliberaram em assembleia (AGO/AGE) — mudança de taxa, troca de gestor ou administrador, liquidação, reforma de regulamento, aprovação ou reprovação das contas —, com a data e o resultado só quando o documento afirma. Cobertura em expansão.
Ratings de agência
O rating oficial que as agências (Fitch, S&P, Moody's, Austin, Liberum, SR...) tornam público para séries de FIDC e CRI/CRA — a nota, a perspectiva, a data e se foi elevação ou rebaixamento. Sempre da agência que assinou, nunca uma nota minha. Cobertura em expansão.
Comunicados / fatos relevantes
Os comunicados que o administrador torna públicos para FII e FIDC — liquidação, amortização extraordinária, troca de administrador ou gestor, suspensão de resgate, evento societário. Sempre atribuído ao administrador, com a data e o trecho literal. Cobertura em expansão.
Companhias abertas
O que cada companhia — Petrobras, Vale, Ambev… — protocolou na CVM: atas, fatos relevantes, comunicados, avisos, proventos, com a data e o link oficial. E o perfil dela pelos formulários: quem controla, free float, auditor, movimentações de administradores, práticas de governança. Cobertura em expansão, sempre carimbada.
Acompanhar
Marque um fundo com ☆ acompanhar e eu te aviso quando algo mudar no que ele declara — informe novo, correção, variação relevante, silêncio. Os avisos ficam no sino e em Seus alertas, cada um com número, competência e fonte.

O quanto eu já li

5.011
FIDCs na base
267 mil
informes de FIDC lidos
25.237
reapresentações de FIDC
1.600
fundos imobiliários (FII)
291
fundos do agronegócio (FIAGRO)
41 mil
fundos de investimento (FIF)
6.089
emissões de CRI/CRA, de 79 securitizadoras
4.313
fundos de participações (FIP)
444
fundos com relatório gerencial lido

números da base pública da CVM

Série de informes mensais desde setembro de 2023 nos FIDCs, os informes mensais e trimestrais dos FIIs, o informe diário dos FIFs, desde setembro de 2019 os informes mensais das emissões de CRI/CRA e, desde 2010, os informes trimestrais/quadrimestrais dos FIP, e o índice do que as companhias abertas protocolam na CVM (carga em andamento, do presente para o passado) — direto da fonte pública da CVM. A base cresce toda semana, e cada classe é lida pela sua própria régua. Quando algo ainda não entrou, ou quando o dado não existe no documento, eu digo — prefiro "não tenho isso" a preencher com o que soaria bem.

Antes de enviar, me mostre o XML

Eu passo o dia contando reapresentações — já li 25.237, e qualquer visitante vê quantas cada fundo acumulou. A função Valide seu XML existe pra que o seu não precise de mais uma: quem prepara o informe sobe o arquivo aqui antes de protocolar, e eu confiro a estrutura contra o leiaute e as contas internas do documento. Aponto o fato ("as faixas somam X, o total declara Y"), nunca veredito. Seu arquivo é sigiloso: analiso em memória e descarto na hora — nada é guardado, nada vai à CVM por aqui. E quem administra uma carteira inteira pode exportar o consolidado por administradora — todos os fundos, uma linha por fundo×competência, em Excel ou CSV.

Por que confiar em mim

Só documento público

Todo número que eu digo carrega a sua competência e o seu protocolo, rastreáveis até o informe na CVM. Se não é rastreável, não é afirmação — é palpite, e palpite eu não dou.

Quando não sei, eu digo

Não invento dado plausível. Se a ferramenta não me trouxe o número, ou se a fonte não tem, eu falo com todas as letras. Um número fabricado que batesse com o esperado seria o pior erro que eu poderia cometer.

Não é recomendação

Não digo compre, venda, evite ou prefira. Não dou nota, score nem ranking de bom e ruim. Mostro o que foi declarado, com a fonte, e a conclusão é de quem lê. É a linha da norma (RCVM 20), e eu não a cruzo.

Me diga um fundo, uma emissão, uma companhia. Eu li tudo que declararam.

Digite um fundo, uma emissão, uma securitizadora ou uma companhia aberta e eu conto o que declararam à CVM: o que entregaram, o que mudou depois e o que não fecha.

Conversar com o Tomé → Ver perguntas prontas

Números derivados dos informes mensais de fundos e operações de securitização publicados entregues ao regulador e à bolsa. Cada valor carrega a sua competência. Conteúdo factual, sem veredito nem recomendação de investimento (RCVM 20). Tomé é a ferramenta pública e gratuita de leitura dos documentos públicos da Liqi. Status e histórico de atualização dos dados ↗